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Pescados na Páscoa: como garantir qualidade e segurança no período de maior consumo

A Semana Santa é, tradicionalmente, o período de maior consumo de pescados no Brasil. Impulsionada por fatores culturais e religiosos, a data aumenta significativamente a demanda por peixes e frutos do mar, representando uma grande oportunidade para o setor de food service. Ao mesmo tempo, exige atenção redobrada à segurança alimentar.

Com o aumento no volume de compras, a entrada de novos fornecedores e o ritmo acelerado das operações, crescem também os riscos relacionados à cadeia de frio, à contaminação cruzada e às doenças transmitidas por alimentos (DTA). Por isso, garantir a qualidade dos pescados passa por planejamento, controle rigoroso e capacitação das equipes.

Por que o pescado exige mais cuidado

Os pescados estão entre os alimentos mais perecíveis. Sua composição favorece a rápida deterioração microbiológica e oxidativa, especialmente quando há falhas no controle de temperatura.

Microrganismos como Pseudomonas, Shewanella e Listeria monocytogenes podem se multiplicar rapidamente em condições inadequadas, comprometendo a qualidade e a segurança do alimento em poucas horas. Por isso, manter a temperatura correta ao longo de toda a cadeia é essencial.

Riscos ampliados durante a Páscoa

Datas sazonais como a Semana Santa pressionam a logística do setor. O aumento repentino da demanda pode levar a falhas operacionais, como:

  • maior tempo de exposição fora da refrigeração
  • sobrecarga de câmaras frias
  • processos acelerados de recebimento e manipulação
  • inclusão de fornecedores sem avaliação completa

De acordo com as normas sanitárias, pescados frescos devem ser mantidos entre 0 °C e 4 °C. Já os congelados devem permanecer abaixo de –12 °C, sendo ideal –18 °C. Pequenas variações já são suficientes para iniciar processos de deterioração.

Fornecedores e rastreabilidade

A escolha criteriosa de fornecedores é uma das principais formas de prevenção. Em períodos de alta demanda, é fundamental verificar:

  • registro em sistema de inspeção (SIF, SIE ou SIM)
  • licença sanitária vigente
  • condições adequadas de transporte refrigerado
  • documentação de origem do produto

Além disso, a rastreabilidade deve permitir identificar informações como lote, validade, forma de apresentação e fornecedor. Isso garante agilidade na identificação de problemas e reduz impactos operacionais.

Recebimento: etapa crítica

O recebimento é um dos pontos mais sensíveis do processo. Boas práticas incluem:

  • descarregamento rápido
  • verificação das embalagens
  • análise sensorial (odor, aparência e líquidos)
  • medição da temperatura antes da aceitação
  • aplicação do sistema PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai)

Esses cuidados evitam a entrada de produtos fora do padrão na operação.

Armazenamento e descongelamento

Após o recebimento, o armazenamento adequado preserva a qualidade do pescado. Recomenda-se:

  • separar alimentos crus e prontos
  • armazenar pescados nas prateleiras inferiores
  • evitar sobrecarga de equipamentos
  • identificar corretamente os produtos

No descongelamento, o método mais seguro é sob refrigeração. Se necessário, pode-se utilizar água corrente fria. Deve-se evitar descongelar em temperatura ambiente ou em água parada, pois isso favorece a proliferação bacteriana.

Erros comuns

Alguns erros recorrentes comprometem a segurança do pescado:

No recebimento

  • não verificar temperatura
  • aceitar embalagens danificadas
  • deixar produtos fora da refrigeração

No armazenamento

  • misturar alimentos crus e prontos
  • sobrecarregar câmaras frias
  • não identificar produtos

Na manipulação

  • descongelar em temperatura ambiente
  • usar os mesmos utensílios para alimentos crus e preparados
  • recongelar produtos

A prevenção passa por treinamento contínuo e padronização dos processos.

Conclusão

A Páscoa é uma excelente oportunidade para ampliar vendas e diversificar o cardápio. No entanto, o aumento no consumo de pescados exige rigor nos controles sanitários.

A combinação entre bons fornecedores, controle de temperatura, rastreabilidade e boas práticas operacionais é essencial para garantir a segurança dos alimentos e a confiança do consumidor. Mais do que uma exigência legal, trata-se de um compromisso com a saúde pública e com a credibilidade do negócio.

Artigo de Dra. Fernanda Sanjiorato e Dra. Karla Vilaça

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