Por Maria Luna | 09/04/2026
A gastronomia é feita de histórias construídas a partir de memória afetiva, cultura e rigor técnico. Um dos profissionais que representa bem essa combinação é Fernando Pavan. Com quase 30 anos de atuação no setor, o chef construiu uma trajetória sólida que passa por diferentes regiões do país e experiências marcantes dentro e fora da cozinha.
Natural de Bebedouro, no interior paulista, Pavan carrega fortes influências familiares. Filho de descendentes de italianos da região do Vêneto, cresceu em um ambiente onde a cozinha era sinônimo de encontro e afeto. Desde cedo, observava a mãe e a irmã preparando refeições em família, o que despertou sua conexão com a gastronomia.
“Desde muito jovem, a cozinha esteve presente na minha vida como um espaço de afeto, criatividade e conexão”, destaca o chef, que mantém até hoje o hábito de estudar ingredientes, explorar culturas e transformar experiências em pratos com identidade.
Fora das cozinhas, Pavan busca equilíbrio em atividades como corrida, natação, ciclismo e viagens, que também funcionam como fonte de inspiração para seu trabalho.
Formação e construção de carreira
Antes de se dedicar à gastronomia, Fernando Pavan iniciou sua trajetória acadêmica em Ciências Econômicas. A virada profissional aconteceu em 1998, quando passou a atuar em uma churrascaria no interior do Rio Grande do Sul, onde teve contato direto com o preparo de carnes e a tradição do churrasco gaúcho.
A partir desse momento, decidiu se especializar na área. Buscou formação técnica em gastronomia, com cursos no Senac, além de outras especializações que incluem panificação, confeitaria, gestão de alimentos e bebidas, cozinha brasileira contemporânea e gastronomia sustentável.
Também se formou em Enogastronomia Italiana pelo ICIF, em Porto Alegre, reforçando sua visão de que o chef moderno precisa unir técnica, criatividade e visão de negócio.
Ao longo da carreira, acumulou passagens relevantes pelo setor. Trabalhou com a chef Ana Luiza Trajano no restaurante Brasil a Gosto, experiência que considera fundamental para aprofundar sua compreensão sobre a identidade da cozinha brasileira.
Também atuou no restaurante Volta, no Rio de Janeiro, e integrou a Accor como chef corporativo para a América Latina. Posteriormente, assumiu como chef executivo do hotel Mama Shelter, ampliando sua atuação em gestão e liderança.
Além da prática profissional, Pavan também se destaca como docente, contribuindo para a formação de novos talentos na gastronomia.
Liderança no NANNAI e projetos autorais
Desde 2022, Fernando Pavan atua como chef executivo do NANNAI, onde vive uma fase de maturidade profissional. À frente das operações gastronômicas, ele equilibra gestão estratégica e execução técnica.
Também lidera o restaurante TiaTê, com unidades em Muro Alto e Fernando de Noronha. O projeto reflete sua proposta de valorizar ingredientes regionais e criar experiências gastronômicas autênticas.
Entre as iniciativas que lidera está o projeto Harmonniza, uma curadoria de encontros gastronômicos que reúne chefs convidados com diferentes estilos e propostas. A ideia é proporcionar experiências únicas aos clientes e, ao mesmo tempo, gerar aprendizado para as equipes.
Segundo o chef, o público valoriza cada vez mais experiências completas. “Gastronomia é memória, conexão e identidade”, resume.
Visão de mercado e tendências
Para Fernando Pavan, o food service brasileiro vive um momento de alta competitividade e transformação. O consumidor atual está mais informado e exigente, buscando não apenas qualidade no prato, mas também propósito, experiência e autenticidade.
Ele destaca tendências como a valorização de ingredientes regionais, sustentabilidade, inovação e gestão eficiente como pilares para o crescimento no setor. Para o chef, entender a gastronomia como negócio é essencial para se destacar.
Conselhos para quem quer seguir na profissão
Pavan reforça que a paixão pela cozinha é importante, mas não suficiente. Disciplina, resiliência e formação técnica são fundamentais para construir uma carreira sólida.
Ele recomenda que novos profissionais busquem experiências diversas, estudem gestão, liderança e custos, e mantenham a curiosidade ativa. Para ele, ser chef vai além de cozinhar. Envolve liderar equipes, criar experiências e assumir a responsabilidade de entregar excelência diariamente.
A força da vitrine digital
Na era digital, o chef também destaca o papel estratégico das redes sociais. Para ele, as plataformas são uma vitrine importante para apresentar identidade, compartilhar processos e construir relacionamento com o público.
Quando usadas de forma autêntica e profissional, fortalecem a marca pessoal e ampliam oportunidades no mercado.
Com uma trajetória que une afeto, técnica e visão estratégica, Fernando Pavan representa um novo perfil de chef. Um profissional que entende que cozinhar é apenas parte do processo e que a verdadeira excelência está na capacidade de gerir, inovar e criar experiências memoráveis.